A Expansão Marítima e Comercial Européia
O Reino de Portugal é reconhecido como o primeiro Estado Nacional centralizado. Esse precoce Estado Moderno lusitano se consolidou através da Revolução de Avis (1383-1385) e garantiu a existência de uma estabilidade política e paz social.
Como ocorreu essa Revolução: D. Fernando morre e sua filha Ana Beatriz (casada com o Rei de Castela, D. João I) assume, o que cria uma ameaça a autonomia portuguesa. De fato, a desconfiança era verdadeira e D. João I rompeu com a independência de Portugal e o invadiu, tentando anexá-lo. A resistência contra a agressão de Castela (Espanha) coube a D. João (filho bastardo do rei D. Pedro), e sua luta e da burguesia, camponeses e populares contra o domínio de Castela sobre Portugal ficou conhecida como Revolução de Avis. Os espanhóis foram derrotados, pois Portugal contava com a ajuda da nobreza inglesa. Os burgueses levaram D. João (que se tornou D. João I) ao trono (Mestre de Avis), e com sua posse o Estado português se forma efetivamente e dá condições para a expansão marítima.
Para chegar a essa condição de Estado centralizado houve um grande obstáculo também aos projetos de unificação política dos reinos da Península Ibérica (Portugal e Espanha): a presença muçulmana nessa Península, o que gerou um espírito de Cruzada (católicos x muçulmanos) ao processo de centralização. Portugal iniciou um processo de expansão da fé católica contra o islã (a ligação entre Portugal e a Igreja Católica seria também uma das características mais marcantes desse reino precoce). As Cruzadas favoreceram o reino, enriquecendo-o e consolidando o poder dos monarcas apoiados pelo clero católico e pela nobreza guerreira.
O Reino de Portugal também foi afetado pela crise do séc. XIV: problemas econômicos enfrentados pela nobreza, inquietação social de um campesinato explorado e o aparecimento da peste negra e seus terríveis efeitos demográficos foram algumas das conseqüências.
Após a Revolução de Avis, no consolidado Estado português, iniciou-se um projeto de expansão militar no norte da África (ligado ao espírito de Cruzada) para conquistar a praça muçulmana de Ceuta. A primazia portuguesa, o seu pioneirismo marítimo pode ser explicado por alguns fatores: a formação precoce do Estado, técnicas revolucionárias de navegação (bússola, caravela, cartografia, Escola de Sagres – centro de estudos náuticos), a localização geográfica favorável e os interesses mercantis da burguesia, “por ouro e por Cristo” (metais preciosos e especiarias, encontrados nas Índias, região controlada comercialmente por árabes e italianos, o que fez os portugueses buscarem uma rota alternativa que contornasse a África – périplo africano).
A associação de Portugal com a Igreja Católica fica mais evidente com as bulas papais, havia a que autorizasse o rei de Portugal atacar, conquistar e capturar os bens e territórios dos descrentes e inimigos de Cristo. A relação Estado e Igreja era chamada Padroado.
A conquista de Ceuta foi apenas o primeiro passo, logo vieram a colonização das Ilhas Atlânticas e a passagem (superação) Cabo Bojador por Gil Eanes, graças a observação dos ventos alísios (Cabo Bojador: região ao entorno da África de difícil acesso). Depois houve ainda a superação do Cabo da Boa Esperança (outra região deste tipo porém mais ao sul da África), tudo isso para tentar alcançar as Índias e quebrar o monopólio das cidades italianas. Mais tarde, Vasco da Gama completa o trajeto português já iniciado e chega a região de Calicute (nas Índias).
Mas navegar em alto mar as vezes era problemático, devido as calmarias (ventos diminutos que dificultavam a navegação), as doenças (mais comum: escorbuto – falta de vitamina C) e os motins.
A centralização política do Estado espanhol, decorrente da união dos reinos de Aragão e Castela, possibilitou o início da expansão marítima espanhola, quebrando a exclusividade de Portugal no ramo. O projeto espanhol era dirigido por Cristóvão Colombo, que acreditava ser possível chegar às índias navegando a oeste. Mais tarde descobriu o Novo Mundo, o qual mais tarde chamou de América.
D. Manuel financiou a esquadra de Cabral, que também desejava chegar as Índias, mas, seguindo conselhos de Cristóvão e devido a descoberta da América, Cabral seguiu a oeste, e assim, acidentalmente descobriu o Brasil.
Mais tarde o Papa Alexandre VI propõe a Bula Intercoetera, um acordo que dividiria o mundo colonial conhecido entre Portugal e Espanha. A leste de uma linha imaginária traçada a 100 léguas de Cabo Verde pertenceria a Espanha, e a oeste a Portugal, que recusou o tratado pois queriam acesso às novas terras descobertas a oeste. Então, sem a intervenção da Igreja, Portugal e Espanha firmaram um novo acordo: o Tratado de Tordesilhas, que aumentou a área de acesso de Portugal para 370 léguas, e os espanhóis aceitaram pois já haviam descoberto ouro na área descoberta por Colombo, a América (ao norte).
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